Eu não queria dividir uma poltrona, mas estava escrito: número 08. Havia alguém lá, do lado, fitando a janela com uma serenidade aparente. Eu conferi o número e me acomodei. Fitei a Janela também, alguma coisa dava um nó na minha garganta, uma parte de mim ficara ali. Quebrei o silêncio, perguntei a minha parceira de viagem se estávamos no destino certo e ela confirmou com sua doce voz. Silêncio quebrado, destravamos as próximas conversas. Com seu jeito simples, me pediu ajuda. Por sua longa idade, pouco sabia “dessas tecnologias cheias de dificuldades”. Me prontifiquei em ajudá-la e, tomada pela sua calma, me dispus a lhe mostrar tranquilamente passo a passo de uma simples tarefa. Ela me pareceu contente com a ajuda. Pouco a pouco, aquela senhorinha de cabelos curtos e olhar arredondado me trouxe paz. O caminho foi reduzido e a tristeza levada embora, uma voz baixinha me dizia que eu estava na direção certa e que logo logo tudo iria tomar seu lugar. Quis deitar minha cabeça em seu colo, quis que fosse a avó que eu não tive, quis pousar um beijo levemente em seu rosto e agradecer pela sua paciência que me fazia refletir sobre a agitação que me era constante. Entre um assunto e outro, ela me cuidou e me confidenciou seus medos diários. Me falou sobre sua solidão. Quis visitá-la, tomar-lhe uma tarde. Ainda que sozinha, me parecia feliz, do tipo bem resolvida. Imaginei sua casinha, suas noites frias e quietas. Quis lhe cobrir quando adormecesse no sofá. É tanta correria, é tanta agonia e no fim da vida, alguém estava bem por viver. Me bastou algumas horas para notar que se pararmos para ouvir o outro, não importando sua idade, sua cor, sua posição social, iremos nos ouvir também. Encontrar nosso ponto de partida e chegada, e notar, com mais precisão, nossos pequenos prazeres. Ela me dava conselhos, preocupava-se com a minha chegada e se me perguntares o quanto me conhecia, posso te responder que nada menos que o meu nome e algumas razões por está ali. Entretanto, quis ver meu brilho, me olhar e ouvir-me com atenção, quis ser ouvida também. Lindo era seu sotaque, seus dedos, seu jeitinho simples...A velhice é de fato uma dádiva para quem sabe tê-la. Os anos lhe eram aparentes em suas feições, em seu sossego. Ela abriu os cintos que se fechavam contra minha quietude...E nem sabe disso. Não demorou para que, enfim, fosse meu momento de deixar aquela poltrona. Docemente, pousei um beijo no alto de sua cabeça e anotei apressadamente meu telefone num pedaço de papel como ela pedira. E, me assegurou que não me incomodaria, mas torci baixinho para que ela me ligasse num dia qualquer e me desse o prazer de ouvi-la outra vez.
Faz um pedido,apaga as velinhas. Cruza os dedos. Dobra os joelhos. Chora. Acredita hoje, desacredita amanhã, e acredita novamente. Persiste. Se ampara em abraços, torcidas, olhares de piedade. Cria uma meta, e cumpre, e não cumpre, mas cumpre muito mais. Se cansa, mas retorna. E quer, quer muito, quer mais do que qualquer coisa, quer com todas as forças.
Por debaixo dos medos, há um fragmento de uma esperança contida, porém
viva. Compelidos, obrigam-nos a desistir. Quão grande pode ser a nossa vontade diante
dos nossos receios e anseios? Tendemos a ser frágeis quando tudo que devÃamos
ser, firmes sem dosagem, escapa no meio da descrença. Temos a falsa ideia de
que não somos capazes, e habituados ao “não”, jamais cogitamos receber o “sim”.
Comprovado ou não, o destino quer nos surpreender, pois que seja, deixa ver.
Coloca nas costumeiras brechas de dias, pessoas, lugares, sentimentos que, sob
nenhuma hipótese, imaginarÃamos ser tão fortes, essenciais e penetrantes na
nossa realidade comum. Esse tal de destino começa a nos dar respostas, como
quem diz baixinho no nosso ouvido que logo logo algumas coisas chegarão, mas
que antes precisávamos lidar com algumas pedras, talvez rochas, no meio do
caminho. Há quem não acredite nesse estranho conhecido de tantas explicações,
mas eu, particularmente, acredito em sua parcela de culpa ou ofÃcio, como quiser
chamar. Acredito, na necessidade de crer. Crer em si, nos seus sonhos, e no seu
acaso à felicidade.
Pois bem, coloco a palavra, ou melhor o sentimento, como quase inalcançável. Por
favor, releia o quase. Porque grande parte de nós o colocamos dessa forma,
quando na verdade ele é tão nosso e tão inteligÃvel. Porém, há certos tipos de
felicidades: uns que nos acometem aos
pouquinhos, outros que já fazem parte da rotina como simples saboreio diários
e os que esperamos, idealizamos e o tornamos chave. Chave da nossa fonte de
mais felicidade. Por vezes, esse tão esperado é nada mais que irreal, frÃvolo e
até tolo, mas ainda está lá, faz parte do nosso segredo particular. Independente do quão concreto ou não ele
seja, nunca devemos desistir dele.
Somada às expectativas, ao cansaço, à oscilação de como lidar com a espera, ele
se prepara para, enfim, bater à porta.
TOC, TOC.
Opa!
Não vou espiar, não espie também. Coloquemos de lado a desconfiança. Quando
esse senhor sentimento entrar, ele não vem sozinho. Êxtase, tranquilidade, paz,
eles vêm também. Talvez algumas lágrimas insistam em cair, talvez ousamos
reprimir, mas nada disso é sinônimo de dor, é só algo bom demais, robusto
demais para expelir pequenas reações.
POSSO ENTRAR?
Permita-se sentir!
Antes tarde do quê...Não, não, antes pronto, certo, do quê nunca ter sido.
Bem-vindo!
Junto a esse texto, que tenta da forma mais simples e menos completa traduzir a
minha felicidade, indico uma música. Independente da sua crença, ela tem um
significado importante pra mim. Então, se quiser experimentar uma lindeza, e
entender um pouquinho mais essas palavras. Deixo aqui: Oceans- Hillsong united.

