
Morena, alta, cabelos grossos, olhos grandes de cigana obliqua e dissimulada, nariz reto e comprido...Não sei tanto ao certo. Através dessa tela vejo você, vejo diferente, vejo além. Passei horas olhando aqueles “escrevendo”, “online”, e ainda assim não me cansava de ler que você me achava engraçado, que de ria de bobagens comigo. Encantei-me além do seu jeito, com a sua voz, escutava e repetia como música para os meus ouvidos. Tenho medo, capitolina, medo desse sentimento não ser recÃproco, medo de ser o único a olhar para aquela tela e sentir paz por saber que estava do outro lado. Peguei-me pensando que talvez fosse surreal, superficial demais, mas já tive o prazer de estar ao lado teu, de observar quieto, a tua alegria, tua jovialidade. Parecia-me doce, forte e relativamente frágil, ao ponto de querer cuidar.
A velocidade que isso tomou, talvez pela facilidade de nos comunicarmos diariamente, me assusta. Me pergunto porque repentinamente aqueles simples cumprimentos se tornaram alimento meu, se tornaram além e indispensáveis. Não entreguei meu coração a outra, Capitu, por motivos tão meus que de longe são tão teus. Eu vejo, não é difÃcil, tentas se desamarrar a todo momento, como alguém que quer voar, como quem precisa disso. Uma criatura mui particular, mais mulher do que eu sou homem. Mas veja, não é difÃcil, a sua liberdade também me fascina e me inquieta diante de tanta complexidade, mistério.
Não pense no depois, viva cada segundo dessa tua liberdade que quero mergulhar. Experimente a delÃcia do tocar do sentir e do querer que me pego sonhando todos os dias. As coisas mudaram , insanos são esses modos contemporâneos que quebram as barreiras e me dão a sensação que já te conheço, que estou cada vez mais próximo a ti. E quando escuto teu riso...fecho os olhos e visualizo, tento tocá-lo...Não posso.


