Chama

14:51

Me fiz velha nessa matéria, o muito é pouco para quem já viu tudo e nada. Cansei dessa indecisão e se for para ser mais exata, cansei  da ilusão. É tempo demais, é muito talvez. Na minha urgência, eu tenho calma, mas a minha paciência esgotou. Fui leve, neve, fui fogo e apaguei. Mas, no meu arder, fui plena e pouco serena no querer. Sucinta, célere, não há mais nada a perder. Me encaixo, te laço e te mostro que de ontem a vida não anda e que de hoje, eu sei te dizer. Não me peça dias, quem sabe até algumas horas, não me amola. Não é facilidade, é a certeza do que preciso e digo,meu bem, você. Porém, te aviso, amanhã acordo e fujo, quem sabe volto. Sou minha, e um tanto insana, digo tua, mas não se engane. Entretanto, se de supetão, eu resolver ficar...Ah, sorte a tua. Não..sorte a minha. Essa é a deixa. Na espreita, olho pra dentro, é a chama outra vez. Queima. Já não imploro, digo baixinho no teu ouvido: Faça-me.
Eu rio! Da tua inocência que pouco entende de quem já foi e não se contenta. Se perco alguns segundos ouvindo tua palavras...Ganhaste a vez. Se puder, fique. Aliás, se conseguir. Desafio-te. Já perdi algum tempo. Rio outra vez. Dessa vez de mim e do que sinto. Enfeita meu riso, o grito, a ânsia. Me chama, me leva, me aperta. Retira dos dias a alegria qualquer. Te ensino, me livro e prendo nós dois no té que diz que te quer no amo.

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